em maio 19, 2021
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A cidadania portuguesa pelos sefarditas e o estudo genealógico

em maio 19, 2021

A cidadania portuguesa pelos sefarditas e o estudo genealógico

Desde 2015, a Lei da Nacionalidade em Portugual prevê o direito de naturalização dos descendentes de judeus sefarditas. Em outro post nós já falamos sobre quem são os sefarditas e as razões pelas quais o governo português criou a lei da reparação, como é conhecida por muitos. Agora você vai saber como é feita a comprovação genealógica do vínculo entre você e o seu ancestral sefardita, ponto de fundamental importância para a emissão do certificado pelas Comunidades Israelitas de Lisboa e do Porto.

A primeira questão é saber que a árvore genealógica sozinha não é suficiente. Hoje, com a facilidade proporcionada por sites como o Family Search e o MyHeritage, as pessoas conseguem montar suas árvores e, em alguns casos, encontram um ascendente indicado como sefardita.

Entretanto, para o processo de cidadania portuguesa pela via sefardita, isso não basta. Nesses casos há duas coisas que precisam ser feitas: a primeira é ter certeza de que o ancestral indicado como sefardita na árvore de fato é sefardita. A segunda é comprovar o vínculo genealógico entre você e o ancestral.

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É importante lembrar que as árvores familiares nesses sites são construídas a partir de contribuições coletivas. Vários indivíduos contribuem para a inclusão e edição da informação. Isso é ótimo e têm ajudado muitas pessoas a descobrirem ancestralidades e ramos familiares que de outra forma não se descobririam tão facilmente.

O certificado israelita e a cidadania portuguesa

Por outro lado, quando falamos de um processo de cidadania, é preciso ter em mente que há regras e requisitos que devem ser comprovados e documentados. No caso da ascendência sefardita essa prova é feita através da emissão do certificado israelita.

Para que um descendente de judeu sefardita consiga essa certificação é preciso a apresentar documentos que comprovem geração a geração o vínculo genealógico com o sefardita originário. O documento que reúne toda essa genealogia comprovada é o estudo genealógico.

Sobre esse processo de pesquisa da prova de vínculo sefardita, Camila Amaral, coordenadora da genealogia da Martins Castro, explica que “metodologicamente é muito importante que todas as gerações de uma árvore genealógica estejam bem comprovadas”.

Ainda segundo Camila, essa comprovação pode se dar através de diferentes fontes documentais e históricas. “Em se tratando das primeiras gerações, com certeza são as certidões de nascimento, casamento, por exemplo. Mas quando recuamos mais no tempo, normalmente, recorremos a outros documentos, outras fontes primárias, como aquelas ligadas a igreja”.

Batismo, matrimônio, óbito, além de testamentos e inventários podem fazer parte da lista de documentos que demonstrem a genealogia daquela geração que se quer comprovar. E nessa busca documental há ainda um outro tipo de fonte comum de ser usado: as secundárias.

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Reforçando a importância do estudo genealógico estar bem documentado, a coordenadora da genealogia da Martins Castro reforça que quando as fontes já reunidas ainda não são suficientes é possível recorrer também a artigos e livros. Essas fontes, entretanto, precisam ter sido elaboradas com “um rigor metodológico e de pesquisa que sejam confiáveis, ou seja, não basta só as memórias que alguém escreveu”.

Um estudo genealógico não é então apenas a árvore. Ele envolve um processo de pesquisa e comprovação que os sites de genealogia hoje não dispõem. O estudo inclusive reunirá documentos que indiquem a origem do ancestral sefardita cristão-novo. Que como dissemos anteriormente, precisa ser confirmada.

“Quando chegamos ao cristão-novo a gente pode recorrer uma série de coisas ligadas ao Tribunal do Santo Ofício da Inquisição, bem como à lista de judeus que foram forçados à conversão em 1497. Ou seja, temos uma série de possibilidades, inclusive notícias com alguém reconhecendo e dando depoimento de que aquela pessoa era cristã-nova”, explica Camila.

Se tem interesse em saber mais sobre a cidadania portuguesa pela via sefardita, basta clicar aqui ou continuar a navegar pela secção Judeus Sefarditas do nosso blog.